A espécie de ouriço-do-mar Astropyga magnifica, também conhecida como ouriço-de-fogo, é encontrada desde o Caribe até a região sul do Brasil (Hendler et al., 1995), logo não se trata de uma espécie exótica. Esta espécie é considerada rara e com pouca abundância natural nas áreas de ocorrência, sendo observada entre 5 e 88 metros de profundidade (Serafy, 1979). No entanto, os ouriços-de-fogo têm sido avistados por cientistas e mergulhadores com maior frequência no litoral sudeste do Brasil desde 2015. O primeiro registro de uma espécie do gênero Astropyga no Brasil foi feito em 1958 em Ubatuba (SP) (Tomasi, 1958), sendo raramente observado novamente na região. Os ouriços-do-mar tem um papel importante importante na dinâmica dos ambientes recifais (Cordeiro et al., 2020) e tem uma tendência natural a explosões populacionais (Uthicke et al., 2008). Existem poucas informações sobre essas espécies de ouriços-do-mar no litoral brasileiro, especialmente do gênero Astropyga. Por esse aumento populacional recente nas regiões sudeste e sul do Brasil, é necessario que seja feito um acompanhamento das populações de ouriços-do-mar e seus possíveis efeitos nas comunidades recifais. Os ouriços-de-fogo são de fácil visualização e identificação por seu padrão de cor (vermelho claro-alaranjado a vermelho escuro) e tamanho (7 a 15 cm de diâmetro sem espinhos), normalmente são bem maiores do que de outras espécies mais comuns, como o ouriço-preto e o ouriço-verde. Assim, esta é uma espécie que dificilmente passa despercebida aos olhos dos mergulhadores, o que facilita o registros das ocorrência. Esta é a situação ideal para utilizarmos esta espécie-alvo em programas de monitoramento contando com a ajuda de cientistas cidadãos. Assim, segue abaixo um protocolo de monitoramento que pode ser aplicado por qualquer mergulhador e irá contribuir muito para compreendermos melhor a dinâmica das populações de ouriços-de-fogo.
Figura 1. Foto: Jessica Link (Ilha do Arvoredo, Santa Catarina).
Figura 2. Foto: Thiago Mendes (Arraial do Cabo, RJ).
Figura 3. Foto: Jessica Link (Ilha do Arvoredo, Santa Catarina).
Figura 4. Foto: Bianca Sahn (Arquipélago de Alcatrazes, SP).
Este protocolo pode ser utilizado tanto para ações direcionadas como para avistamentos ocasionais. As ações direcionadas são aquelas em que os mergulhos são dedicados à procura de ouriços-de-fogo e podem ser aplicadas como uma atividade recreativa desafiadora aos mergulhadores para aumentar o engajamento e tornar o mergulho mais contemplativo. Os avistamentos ocasionais são aqueles em que os ouriços-de-fogo foram encontrados pelos mergulhadores durante os mergulhos mas não eram o motivo do mergulho. Abaixo, descrevemos como agir e quais características anotar quando avistar um ouriço-de-fogo:
Avistamento ocasional
Quando encontrar um ou mais ouriços-de-fogo, o que fazer?
Não toque ou tente remover os ouriços-de-fogo para evitar danos aos animais e acidentes com mergulhadores,
Anote:
profundidade da observação,
temperatura (se possível),
número de ouriços avistados,
tamanho estimado sem contar o tamanho dos espinhos (tente usar algum objeto de tamanho conhecido para calibrar sua estimativa - lembre que as coisas parecem maiores embaixo da água),
se os ouriços formarem grupos, tente anotar os dados de quantidade, tamanho e profundidade para cada grupo,
fotografar ou filmar (se possível) mostrando parte do ambiente onde o(s) ouriço(s) estava(m),
tempo total de mergulho (ao finalizar o mergulho),
nome do ponto de mergulho com o máximo de detalhes, por exemplo: ’lado oeste da baía do Farol, Ilha do Arvoredo´.
Ação direcionada usando método de busca ativa
Os mergulhadores devem formar duplas e nadarem em paralelo, mais ou menos, a 3 m distância ou o máximo que a visibilidade permitir, porém não se afastar mais que 10m do costão por segurança;
A dupla deve nadar sobre a área do costão fazendo uma varredura contínua sempre no sentido único. Recomenda-se iniciar na parte mais funda do loca, junto à interface da areia com o costão. Ao se completar um terço da reserva se ar ou do tempo pré-determinado de mergulho, os mergulhadores retornam no sentido oposto cobrindo a área acima da área já amostrada;
Recomenda-se prestar atenção a áreas de buracos, fendas e com areia;
Quando encontrar um ou mais ouriços-de-fogo, anotar as mesmas informações da sessão anterior de avistamento ocasional, ou seja, profundidade, número de indivíduos, temperatura, fotografar etc
Os dados das observações podem ser enviados para cesarcordeiro@uenf.br. Não esqueça de indicar o nome de quem realizou a observação e deixar um contato para que possamos entrar em contato e dar o crédito aos colaboradores do projeto. Os dados das avistagens vão ser incluídos na plataforma iNaturalist (https://www.inaturalist.org/) e no site do projeto (https://cammcordeiro.github.io/ourico-de-fogo), com os nomes e fotos dos colaboradores. O site do projeto irá manter atualizadas as informações de dinâmica das populações e novas ocorrências, mantendo sempre os colaboradores informados dos resultados mais recentes.